Saep DF
Publicado: 19-mai-2026 - às 10:14


Escândalo do Banco Master abala Flávio, e Lula amplia vantagem em nova AtlasIntel

Pesquisa realizada após revelação dos áudios entre o senador e Daniel Vorcaro mostra queda acentuada do pré-candidato do PL. Presidente amplia liderança no 1º e no 2º turno e vê oposição entrar em turbulência

Fotos: Edilson Rodrigues/Agência Senado | Paulo Pinto/Agência Brasil

O impacto político do escândalo que envolve o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o banqueiro Daniel Vorcaro já começou a aparecer nas pesquisas eleitorais. 

Levantamento AtlasIntel/Bloomberg divulgado, nesta terça-feira (19), mostra que o presidente Lula (PT) ampliou significativamente a vantagem sobre o principal nome do bolsonarismo para a sucessão presidencial de 2026.

No principal cenário de primeiro turno, Lula aparece com 47% das intenções de voto, contra 34,3% de Flávio Bolsonaro. A diferença é de 12,7 pontos percentuais. Em abril, a distância entre ambos era de apenas 6,9 pontos.

O dado mais expressivo do novo levantamento, contudo, é a queda do senador do PL: ele recuou 5,4 pontos percentuais em menos de 1 mês.


Cobrança para financiar filme sobre o pai

A pesquisa foi realizada entre os dias 13 e 18 de maio, exatamente após a divulgação, pelo Intercept Brasil, de áudios e mensagens que mostram Flávio cobrando recursos do banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o filme Dark Horse, produção sobre a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). 

Vorcaro é ex-controlador do Banco Master, instituição que colapsou em meio a investigações de fraude e corrupção.

O episódio atingiu diretamente a principal narrativa eleitoral do bolsonarismo: o discurso anticorrupção e antissistema. A repercussão foi tão ampla que, segundo a própria AtlasIntel, 95,6% dos entrevistados afirmaram ter tomado conhecimento dos áudios e mensagens envolvendo Flávio e Vorcaro.

Além disso, a pesquisa revela desgaste concreto na disposição de voto: entre os eleitores que souberam do caso, 9,4% afirmaram estar “muito menos dispostos” a votar em Flávio Bolsonaro, enquanto outros 3,6% disseram estar “menos dispostos”.


Lula consolida liderança também no 2º turno

O avanço de Lula não se restringe ao primeiro turno. Em eventual segundo turno contra Flávio Bolsonaro, o petista abre vantagem de 48,9% a 41,8%. Em abril, o quadro era praticamente empate técnico: Flávio tinha 47,8% e Lula, 47,5%. 

A nova rodada da AtlasIntel indica inflexão — mudança — importante na corrida presidencial. Até março, pesquisas mostravam o filho do ex-presidente competitivo, em alguns cenários numericamente à frente do atual mandatário. 

Agora, o cenário mudou. O escândalo do Banco Master passou a pressionar o núcleo político do PL e alimentou dúvidas dentro da própria direita sobre a viabilidade eleitoral de Flávio Bolsonaro.

Reportagens internacionais apontam que aliados conservadores já discutem alternativas para substituir o senador na cabeça de chapa presidencial.


Michelle aparece mais distante de Lula

A pesquisa também simulou cenário com Michelle Bolsonaro representando o PL. Nesse caso, Lula registra 47% das intenções de voto, enquanto Michelle soma 23,4%.

O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), aparece com 10%, seguido por Ronaldo Caiado (PSD), com 6%, e Renan Santos (Missão), com 7,8%.

Sem Flávio na disputa, a fragmentação da direita se aprofunda e reforça a dependência do campo conservador em relação ao sobrenome Bolsonaro.


Haddad perde força sem Lula

O levantamento também testou cenários sem Lula. Nesse quadro, o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad aparece com 36,7%, contra 32,8% de Flávio Bolsonaro.

Embora Haddad mantenha a dianteira, o desempenho é inferior ao de Lula e evidencia a centralidade do atual presidente na sustentação eleitoral do campo governista. Ainda assim, Flávio também perde terreno nesse cenário: caiu de 39,2% para 32,8% desde abril.


Crise política e financeira amplia pressão sobre o Bolsonarismo

A crise que envolve Daniel Vorcaro extrapolou a disputa eleitoral. O caso também provocou turbulência no mercado financeiro brasileiro e reacendeu debates sobre relações entre bancos, política e financiamento de campanhas. 

Segundo reportagens publicadas nos últimos dias, o valor negociado para financiar o filme sobre Jair Bolsonaro teria chegado a US$ 24 milhões. Cerca de R$ 134 milhões. Parte dos recursos, segundo as investigações divulgadas pela imprensa, já teria sido transferida por empresas ligadas ao banqueiro. 

Flávio Bolsonaro nega irregularidades e afirma que se tratava de investimento privado sem contrapartidas políticas. Ainda assim, a revelação dos áudios desmontou a estratégia inicial do senador de negar vínculos com Vorcaro.

A pesquisa AtlasIntel ouviu 5.032 brasileiros adultos entre os dias 13 e 18 de maio, por meio de recrutamento digital aleatório. A margem de erro é de 1 ponto percentual, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sob o número BR-06939/2026.