Brasília, quinta-feira, 20 de agosto de 2026 - 12:23
Profissionais da Educação merecem respeito e valorização
Reconhecimento passa por salários dignos e respeito aos direitos trabalhistas. Para Auxiliares em Administração Escolar, atuação sindical na construção das convenções coletivas foi essencial para obter reajuste salarial capaz de proteger o poder de compra
Celebramos, no último 6 de agosto, o Dia Nacional dos Profissionais da Educação, data que enaltece os trabalhadores da linha de frente nas instituições de ensino. Na prática, porém, são funcionários pouco valorizados: em muitos casos, auxiliares em administração escolar chegam a receber salário abaixo do piso.
Leia também: Mensalidades disparam, salários afundam: o paradoxo da educação privada no DF
Seja na tarefa de ensinar, seja no apoio diário das rotinas escolares, os profissionais da Educação contribuem para a harmonia e a boa convivência escolar. No caso dos auxiliares, também são atribuídas funções de secretariar, organizar os serviços e documentos, além de cuidados diretos com o local de trabalho e com os estudantes, entre outras tarefas essenciais.
A responsabilidade é grande: o esforço desses trabalhadores sustenta o funcionamento das instituições, do ponto de vista da preservação e organizacional. Em contrapartida, muitos estão sujeitos ao trabalho precarizado, inclusive à pejotização.
Reajustes de mensalidades não são repassados
Neste ano, as mensalidades escolares no Distrito Federal tiveram alta de 9,8%. É mais incremento de receita que vem se acumulando nos últimos anos, mas sem que parte desse resultado seja repassada aos trabalhadores.
Segundo dados da Contee (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino) — à qual o SAEP é vinculado —, entre 2023 e 2026, houve reajuste de 32,22% nas mensalidades no ensino superior. Mas, na negociação coletiva, professores obtiveram apenas 12,8% de correção.
Para a categoria dos auxiliares, mesmo com o esforço do Sindicato nas sucessivas rodadas de negociação, o reajuste tem sido limitado à reposição da inflação. O ensino superior alcançou 4,11%, enquanto na educação básica a correção foi de 5,11%, com 1% de ganho real.
O Instituto Semesp apurou que apenas 1,2% das instituições privadas concentram 55,1% das matrículas. Isto reforça o entendimento de que o lucro permanece concentrado nas mãos de poucos.
Ensino não é produto
O SAEP compreende a Educação como etapa complementar da formação do indivíduo. Apesar do caráter essencial e civilizatório, está cada vez mais comum ver anúncios de cupons de descontos para matrículas, em verdadeiro chamariz para a mercantilização do ensino.
Perde-se o conceito de “bolsa”, orientada à pesquisa e ao conhecimento. O que entra em jogo é a mensalidade, que é paga para obtenção de título em papel, com a única finalidade de cumprir exigência formal do mercado.
Perde-se o valor dos anos de conhecimentos acumulados por docentes com as especializações e pós-graduações.
É deixada de lado a dedicação e o empenho dos auxiliares, que prontamente dão soluções a demandas diárias da direção da instituição, dos professores e dos alunos.
Chamado à valorização
Na chamada “linha de frente”, os profissionais lidam com adversidades diversas. Estão em contato constante com estudantes e responsáveis, solucionam problemas, organizam processos, preservam documentos e garantem que a rotina escolar funcione adequadamente de forma perene.
Valorizar os auxiliares em Administração Escolar, portanto, não significa apenas reconhecer a categoria profissional.
Significa compreender que não existe Educação de qualidade sem os trabalhadores que, todos os dias, asseguram as condições para que essa aconteça.
A valorização passa por salários dignos, respeito aos direitos trabalhistas e condições adequadas de trabalho. É também por meio do reconhecimento desses profissionais que se preserva a qualidade do serviço educacional e se fortalece a própria instituição de ensino.
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