Brasília, segunda-feira, 24 de maio de 2010 - 16:50
VIOLÊNCIA NA ESCOLA
Pesquisa: 70% dos alunos já presenciaram maus-tratos a colegas
Fonte: Agência Brasil
Uma pesquisa nacional sobre o bullying – agressões físicas ou verbais recorrentes nas escolas – mostrou que cerca de 70% dos alunos do país já viram algum colega ser maltratado pelo menos uma vez na escola.
Na Região Sudeste, o índice chega a 81%, revela estudo feito pelo Centro de Empreendedorismo Social e Administração em Terceiro Setor (Ceats), a pedido da organização não governamental (ONG) Plan.
O levantamento ouviu 5.168 estudantes do ensino fundamental de todas as regiões do país, de escolas públicas e particulares.
A pesquisa aponta que 28% dos alunos afirmam já ter sofrido maus-tratos na escola praticados por colegas e cerca de 10% são considerados vítimas de bullying.
Os estudantes entrevistados apontam diversos motivos para a violência escolar, entre eles a omissão da escola, influência de comportamentos familiares agressivos, busca por popularidade, o status e a aceitação em um grupo.
Segundo a consultora da pesquisa, Cléo Fante, especialista em bullying, os atos violentos estão relacionados ao preconceito. "Muitas vezes, o bullying é resultado da intolerância à diferença, é preconceito puro."
As agressões no âmbito escolar podem trazer graves consequências para a vida acadêmica e pessoal do estudante. "Quem sofre bullying costuma perder o entusiasmo pelo ensino e a concentração, o que atrapalha a aprendizagem", afirma Cléo Fante.
Segundo a psicóloga Maria Tereza Maldonado, que publicou o livro de ficção A Face Oculta – Uma História de Bullying e Cyberbullying, em alguns casos os alunos acabam desenvolvendo depressão e síndrome do pânico, além das sequelas físicas.
A pesquisa ainda revela um despreparo das instituições de ensino e dos professores diante dessa violência. "As escolas mostraram uma postura passiva para uma violência que acontece no ambiente escolar", afirmou Gisella Lorenzi, coordenadora da pesquisa.
O alto índice de violência nas escolas é uma preocupação do Ministério da Educação (MEC) que, em parceria com o Ministério Público, promoveu encontro no dia 21, no Rio de Janeiro, para discutir a violência.
Também foram discutidas iniciativas que beneficiam a educação, como o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb) e o programa de transporte escolar.
O evento reuniu gestores dos programas do MEC, especialistas e promotores de todo o país.
Últimas notícias
Escala 6×1: a economia avança, quando direitos avançam
12/3 - 11:21 |
Por que 2026 será decidido no detalhe?
12/3 - 10:55 |
Câmara debate avanço da pejotização e alerta para riscos à Previdência e aos direitos trabalhistas
11/3 - 11:58 |
Redução da jornada avança, mas debate na CCJ expõe manobra para atrasar votação
11/3 - 11:37 |
Estudo do Trabalho indica que jornada de 40 horas é viável no Brasil
Notícias relacionadas
Nem ruptura, nem restauração este é o governo Lula como engenharia de centro ampliado
3/3 - 13:7 |
Deputadas aprovam 95 medidas contra o feminicídio
3/3 - 10:4 |
2026: duelo das visões — democracia social ou autoritarismo reembalado?
12/2 - 14:33 |
Jornada de 40 horas teria 1% de impacto no custo operacional
10/2 - 17:4 |
Vitória dupla na Católica: auxílio-alimentação, antes restrito, agora será pago a todos os trabalhadores da Ubec

