Ensino Médio vai ter nova disciplina obrigatória em 2022: “Trabalho e Projeto de Vida”

Brasília-DF, quinta-feira, 2 de dezembro de 2021


Brasília, terça-feira, 2 de novembro de 2021 - 12:13      |      Atualizado em: 3 de novembro de 2021 - 10:56

CURRÍCULO ESCOLAR

Ensino Médio vai ter nova disciplina obrigatória em 2022: “Trabalho e Projeto de Vida”

Contrarreforma educacional, o Congresso aprovou, e o governo do então presidente Temer (MDB) sancionou a mudança na BNCC. Trata-se, pois, da despolitização das condições matérias de existência do povo brasileiro

Jornal Hoje, da Globo deste sábado (30), fez proselitismo da “nova disciplina” do Ensino Médio: “Trabalho e Projeto de Vida”. Disciplina obrigatória que terá mais tempo de aula do que História, Geografia, Filosofia e Sociologia, e que, além de menos tempo, serão optativas.

Se a coisa fosse boa, isto é, atendesse demanda histórica por educação de mais qualidade, que atendesse de fato os anseios dos filhos do povo, tenham certeza que não seria aprovado. Saiba que não é para melhorar a qualidade do ensino público, para que se tenha homens e mulheres mais bem preparados para o futuro desafiador.

Imagine-se, então, que os jovens estudantes, a partir de 2022, terão menos aulas de História. Desse modo, terão menos condições de fazer as necessárias relações com fatos históricos da humanidade para entender o mundo atual.

Com essa nova disciplina, o que as elites econômica e política do Brasil desejam é despolitizar as condições matérias de existência do povo brasileiro. É preciso revogar isso!

Essa nova disciplina está no contexto da nova BNCC (Base Nacional Comum Curricular) que é “documento de caráter normativo que define o conjunto orgânico e progressivo de aprendizagens essenciais que todos os alunos devem desenvolver ao longo das etapas e modalidades da Educação Básica.” 

“Vai vendo Brasil”
Menos aulas de Geografia. Desse modo, menos conhecimento dos elementos físicos, biológicos e humanos, e suas relações com o planeta Terra. Geografia humana, social, econômica, política, física e vai por aí...

E quem não topar estudar Filosofia, já que vai ser disciplina optativa? Daí terá menos, bem menos, capacidade de refletir e fazer abstrações do mundo que o circunda.

E sem Sociologia? Ciência que, grosso modo, estuda a sociedade e as diversas relações com outras ciências, que busca compreender, de maneira estritamente científica, como os agrupamentos sociais humanos desenvolveram-se e como é possível intervir nesse desenvolvimento.

O nível de exploração sobre os trabalhadores e os filhos deles só aumenta e o poder econômico e os representantes desse nos poderes aprovam projetos e leis para que não consigam compreender essas relações perversas, a fim de não haver possibilidades de rompê-las.

Teor da disciplina
A reportagem demonstrou claramente, segundo a professora Esmeralda Carneiro, que escreveu este texto, o teor da disciplina: psicologização dos problemas sociais, individualização da responsabilidade pelo “sucesso” ou “fracasso” no mercado de trabalho, alienação das condições sócio-históricas das relações de trabalho, normalização do capitalismo e redução da dimensão humana dos alunos de escolas públicas à mera condição de vendedores de força de trabalho no mercado.

Uma das principais funções da escola no capitalismo é justamente a reprodução das relações de trabalho, incutindo nos jovens filhos de trabalhadores os valores e atitudes propícias à resignação diante da condição humana que lhe cabe no sistema. “Resiliência” e “perseverança”, valores oficializados pela BNCC, foram destacados pela reportagem.

Pois bem, esta função até então extracurricular, de sociabilização para adequação à ordem capitalista, com essa disciplina de “Trabalho e Projeto de Vida”, torna-se de fato componente curricular obrigatório no ensino médio.

Outro detalhe muito sintomático da submissão das políticas educacionais aos interesses do capital e do mercado é o fato de que essa “nova disciplina” não estar prevista na letra da lei, nem pela BNCC, nem pela lei que institui o novo ensino médio, mas torna-se disciplina antes de tudo nos livros didáticos elaborados por empresas privadas e comprados pelas secretarias de Educação; ou seja, são as empresas privadas que lucram com a educação pública (com fundo público!) que instituíram essa nova disciplina.

Este é o nível de influência que o capital hoje detém sobre a Educação Pública. Esta é a lógica da contrarreforma educacional.

Texto elaborado pela professora Esmeralda Carneiro Monsores e editado, com acréscimo de mais informações, para publicação no portal do DIAP.

Fonte: DIAP









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