Brasília, quinta-feira, 5 de março de 2009 - 17:59
GOVERNO LULA
Presidente aposta na educação para segundo mandato
Fonte: Correio Braziliense
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva aposta na educação, assim como no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), como marca de seu segundo mandato. A intenção é comparar o desempenho entre o atual Governo e o de Fernando Henrique Cardoso nas eleições presidenciais em 2010. A expansão da rede federal de ensino técnico no país, por exemplo, pode ser usada como munição no palanque governista.
Até o fim do próximo ano, o Governo pretende inaugurar 214 escolas técnicas a um custo de R$1,1 bilhão — mais da metade delas serão entregues somente no segundo mandato. O presidente participará, hoje e amanhã, junto com o ministro da Educação, Fernando Haddad, da inauguração de escolas em Cabo Frio (RJ) e Linhares (ES). A partir de uma videoconferência, o evento será acompanhado em outras cinco cidades nos dois estados.
Para o deputado federal Paulo Renato (PSDB- SP), ministro da Educação no Governo FHC, a ampliação de escolas técnicas no país não terá impacto no mercado de trabalho.
“As escolas técnicas foram tradicionalmente usadas pela classe média para se ter ensino médio público de qualidade. Não vi nenhuma medida do Governo para vinculação desses centros ao mercado de trabalho”, afirma o ex-ministro, que aponta o ensino básico como maior desafio da pasta.
Apesar das críticas, o tema, avalia o cientista político João Paulo Peixoto, tem grande apelo num futuro discurso eleitoral. “Toda família tem uma ligação direta ou indireta com a educação. Isso é um tema altamente popular”, avalia.
Prioridade
O próprio discurso de lançamento da candidatura de Lula à reeleição, em 2006, já apontava a relevância do tema num possível segundo mandato. “Se tivesse que destacar uma só área de prioridade máxima, para um próximo Governo, eu citaria a educação. Se reeleito, pretendo intensificar ainda mais o esforço que estamos fazendo para revolucionar a qualidade da educação no Brasil”, afirmou durante convenção do PT, em Brasília.
“Quero ser o presidente que mais fez pela educação no Brasil. Ela terá prioridade absoluta.” Após a vitória nas urnas, o Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE) foi uma das primeiras medidas lançadas pelo Governo, junto com o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). O principal objetivo do plano é elevar a média do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), que avalia o desempenho dos alunos dos ensino fundamental e médio.
A criação de centros de ensino técnico e o aumento do número de universidades — bem como a interiorização do ensino superior — são apontados pelo professor da Faculdade de Educação da Universidade de Brasília (UnB) Remi Castioni como pilares da política educacional do Governo. “A responsabilidade da educação básica recai, de acordo com a constituição, para o município na educação infantil e fundamental e para os estados no ensino médio, mas o Estado tem papel importante para que se efetive essa oferta e que se garanta, inclusive, o direito à educação”, afirma.
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