Brasília, quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013 - 13:45
AGENDA DOS TRABALHADORES
Artigo: Marcha das centrais: para além do dia 6 de março
Por: Marcos Verlaine*
O dia 6 de março vai ser uma data muito importante para os movimentos sociais e sindical. Nessa data, trabalhadores e trabalhadoras marcharão em Brasília num ato político-social para resgatar a agenda dos trabalhadores no Congresso. Vai ser a 7ª Marcha realizada na capital federal desde a regulamentação das centrais sindicais, em 2008.
Um evento dessas proporções dá muito trabalho organizar. Ainda mais num tempo tão exíguo. Os trabalhos não devem se encerrar no dia 6 de março quando acontece a marcha. É preciso ir além. É preciso manter a mobilização nos estados, porque o debate continua no governo e, sobretudo, no Congresso.
Não deve se tratar de um evento para cumprir tabela, pois essa é parte integrante e indissociável da luta atemporal dos trabalhadores por melhores condições de vida.
Desse modo, as entidades devem buscar dar continuidade ao debate em suas respectivas categorias profissionais. Devem e podem também buscar deputados e senadores para esse debate, já que grande parte da agenda de lutas envolve os congressistas.
Um bom e importante exemplo disso é procurar debater o fim do fator previdenciário. Primeiro para esclarecer os trabalhadores sobre o caráter lesivo dessa lei para os assalariados celetistas no momento da aposentadoria. Segundo para mostrar aos parlamentares o quanto essa forma de calcular a aposentadoria é injusta para o trabalhador, que pode perder até 40% do valor do benefício, se homem, e 50%, se mulher.
Com iniciativas assim, o movimento sindical pode dar continuidade à agenda da 7ª Marcha de modo a não deixar esmorecer os ânimos dos batalhadores brasileiros.
Para as lideranças das entidades, principalmente as nacionais, é relevante organizar uma agenda que permita durante todo este ano frequentar o Congresso, a fim de debater com os líderes partidários a agenda que será apresentada na marcha.
É importante salientar que estão em jogo duas agendas. Uma para melhorar as relações de trabalho tanto no âmbito dos assalariados do setor privado, quanto a dos servidores públicos. A outra é para impedir que as propostas do patronato ganhem corpo e força no Legislativo. Essas, se não for possível rejeitá-las, é necessário que sua apreciação seja bastante demorada no âmbito do Congresso.
A correlação de forças nas duas casas legislativas – Câmara e Senado – é bastante desigual e deriva, sobretudo, do fato de o movimento sindical não estar conseguindo intervir nos processos eleitorais de modo a ter candidatos que galvanizem o debate do mundo do trabalho.
A cada legislatura no Congresso, a bancada empresarial apresenta-se mais robusta e ousada e a bancada sindical, a despeito de seu crescimento na atual legislatura, com uma média de três mandatos, vem perdendo terreno para o setor empresarial. Este tem sido ativo na ofensiva para reduzir custos do trabalho – diretos e indiretos – tanto no Legislativo, com a apresentação de projetos e 101 medidas para flexibilizar direitos, quanto no Executivo, com a desoneração de folha.
A 7ª Marcha das centrais pode e deve se preocupar, assim, em construir uma agenda que consiga ir além do evento propriamente dito no dia 6 de março. A marcha em si já guarda grande importância, pois terá o condão de expressar as demandas gerais e majoritárias dos trabalhadores.
E também poderá demonstrar força e coesão, além de união, premissa fundamental para o êxito de uma jornada com uma agenda tão complexa e difícil de ser aprovada levando-se em consideração o desequilíbrio de forças no Congresso.
Por fim, é importante lembrar desde já a necessidade de pautar o Parlamento com proposições para o 1º de Maio, Dia Internacional do Trabalhador. Maio poderá ser o mês do trabalhador no Legislativo federal.
Que propostas poderão ser amadurecidas e negociadas para votar nesse período?
É preciso articular essa agenda agora!
(*) Jornalista, analista político e assessor parlamentar do Diap
Um evento dessas proporções dá muito trabalho organizar. Ainda mais num tempo tão exíguo. Os trabalhos não devem se encerrar no dia 6 de março quando acontece a marcha. É preciso ir além. É preciso manter a mobilização nos estados, porque o debate continua no governo e, sobretudo, no Congresso.
Não deve se tratar de um evento para cumprir tabela, pois essa é parte integrante e indissociável da luta atemporal dos trabalhadores por melhores condições de vida.
Desse modo, as entidades devem buscar dar continuidade ao debate em suas respectivas categorias profissionais. Devem e podem também buscar deputados e senadores para esse debate, já que grande parte da agenda de lutas envolve os congressistas.
Um bom e importante exemplo disso é procurar debater o fim do fator previdenciário. Primeiro para esclarecer os trabalhadores sobre o caráter lesivo dessa lei para os assalariados celetistas no momento da aposentadoria. Segundo para mostrar aos parlamentares o quanto essa forma de calcular a aposentadoria é injusta para o trabalhador, que pode perder até 40% do valor do benefício, se homem, e 50%, se mulher.
Com iniciativas assim, o movimento sindical pode dar continuidade à agenda da 7ª Marcha de modo a não deixar esmorecer os ânimos dos batalhadores brasileiros.
Para as lideranças das entidades, principalmente as nacionais, é relevante organizar uma agenda que permita durante todo este ano frequentar o Congresso, a fim de debater com os líderes partidários a agenda que será apresentada na marcha.
É importante salientar que estão em jogo duas agendas. Uma para melhorar as relações de trabalho tanto no âmbito dos assalariados do setor privado, quanto a dos servidores públicos. A outra é para impedir que as propostas do patronato ganhem corpo e força no Legislativo. Essas, se não for possível rejeitá-las, é necessário que sua apreciação seja bastante demorada no âmbito do Congresso.
A correlação de forças nas duas casas legislativas – Câmara e Senado – é bastante desigual e deriva, sobretudo, do fato de o movimento sindical não estar conseguindo intervir nos processos eleitorais de modo a ter candidatos que galvanizem o debate do mundo do trabalho.
A cada legislatura no Congresso, a bancada empresarial apresenta-se mais robusta e ousada e a bancada sindical, a despeito de seu crescimento na atual legislatura, com uma média de três mandatos, vem perdendo terreno para o setor empresarial. Este tem sido ativo na ofensiva para reduzir custos do trabalho – diretos e indiretos – tanto no Legislativo, com a apresentação de projetos e 101 medidas para flexibilizar direitos, quanto no Executivo, com a desoneração de folha.
A 7ª Marcha das centrais pode e deve se preocupar, assim, em construir uma agenda que consiga ir além do evento propriamente dito no dia 6 de março. A marcha em si já guarda grande importância, pois terá o condão de expressar as demandas gerais e majoritárias dos trabalhadores.
E também poderá demonstrar força e coesão, além de união, premissa fundamental para o êxito de uma jornada com uma agenda tão complexa e difícil de ser aprovada levando-se em consideração o desequilíbrio de forças no Congresso.
Por fim, é importante lembrar desde já a necessidade de pautar o Parlamento com proposições para o 1º de Maio, Dia Internacional do Trabalhador. Maio poderá ser o mês do trabalhador no Legislativo federal.
Que propostas poderão ser amadurecidas e negociadas para votar nesse período?
É preciso articular essa agenda agora!
(*) Jornalista, analista político e assessor parlamentar do Diap
Últimas notícias
12/3 - 11:21 |
Por que 2026 será decidido no detalhe?
12/3 - 10:55 |
Câmara debate avanço da pejotização e alerta para riscos à Previdência e aos direitos trabalhistas
11/3 - 11:58 |
Redução da jornada avança, mas debate na CCJ expõe manobra para atrasar votação
11/3 - 11:37 |
Estudo do Trabalho indica que jornada de 40 horas é viável no Brasil
8/3 - 0:0 |
8 de Março e a exaustão da luta contra o feminicídio e a misoginia
Por que 2026 será decidido no detalhe?
12/3 - 10:55 |
Câmara debate avanço da pejotização e alerta para riscos à Previdência e aos direitos trabalhistas
11/3 - 11:58 |
Redução da jornada avança, mas debate na CCJ expõe manobra para atrasar votação
11/3 - 11:37 |
Estudo do Trabalho indica que jornada de 40 horas é viável no Brasil
8/3 - 0:0 |
8 de Março e a exaustão da luta contra o feminicídio e a misoginia
Notícias relacionadas
26/2 - 8:28 |
Escala 6x1 entra na arena decisiva da Câmara
7/1 - 20:1 |
3 anos do 8/1: dia de celebrar a democracia contra o golpismo bolsonarista
5/1 - 17:22 |
Piso da categoria sobe de R$ 1.560 (Educ. Básica) e de R$ 1.562 (Ens. Superior) para R$ 1.621 com aumento do salário mínimo
26/11 - 20:5 |
10 milhões de brasileiros deixarão de pagar IR a partir de 2026
17/11 - 13:27 |
TST reage à onda de pejotização e alerta para rombo bilionário na proteção social
Escala 6x1 entra na arena decisiva da Câmara
7/1 - 20:1 |
3 anos do 8/1: dia de celebrar a democracia contra o golpismo bolsonarista
5/1 - 17:22 |
Piso da categoria sobe de R$ 1.560 (Educ. Básica) e de R$ 1.562 (Ens. Superior) para R$ 1.621 com aumento do salário mínimo
26/11 - 20:5 |
10 milhões de brasileiros deixarão de pagar IR a partir de 2026
17/11 - 13:27 |
TST reage à onda de pejotização e alerta para rombo bilionário na proteção social

