Brasília, quinta-feira, 22 de janeiro de 2009 - 16:18
PRESSÃO SOCIAL
Para centrais, mobilizações forçaram Copom a reduzir juros
Fonte: Vermelho
As centrais sindicais consideram que "é pouco" o declínio em um ponto percentual da taxa básica de juros (Selic), anunciada pelo Copom (Comitê de Política Monetária), na noite desta quarta-feira (21).
O que há para comemorar, segundo as centrais, é que a redução do índice - que foi de 13,75% para 12,75% - não reflete os interesses dos especuladores, mas, sim, a pressão da sociedade, especialmente do movimento sindical.
"É claro que, neste contexto de crise econômica, a baixa dos juros em apenas um ponto percentual é tímida. Esperamos, agora, que o Copom mantenha esse ritmo de queda - e que os juros caiam mais rapidamente", declarou ao Vermelho o presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil, Wagner Gomes.
De acordo com Wagner, as manifestações contra os juros exorbitantes do Brasil - atos que, só nesta quarta-feira, levaram milhares de pessoas às ruas de em 13 capitais - contribuíram para a redução da Selic.
"As mobilizações foram importantes para pressionar o Copom e mostrar que a sociedade começa a cobrar mais firmemente a redução dos juros."
Na maior manifestação desta quarta, cerca de 6 mil pessoas protestaram pela manhã, em frente à sede paulistana do Banco Central (BC), na Avenida Paulista.
O ato foi convocado pelas seis centrais legalizadas do país - CUT, Força Sindical, CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil), UGT (União Geral dos Trabalhadores), NCST (Nova Central Sindical de Trabalhadores) e CGTB (Central Geral dos Trabalhadores do Brasil).
"Oito burocratas do BC vão tomar uma decisão muito importante para o Brasil. O trabalhador não suporta mais esse juro e exige uma grande redução da taxa para a economia do Brasil crescer mais", discursou Nivaldo Santana, vice-presidente da CTB.
Outras centrais
Força Sindical, CUT e UGT expuseram opiniões semelhantes ao comentar a decisão do Copom. "Diante do necessário, queda de 1% é pouco", expressou Artur Henrique, presidente da CUT.
"Porém, diante do conservadorismo do BC (Banco Central) e das pressões do mercado financeiro, que apostava em queda menor, acreditamos que a pressão do movimento sindical contribuiu para o índice anunciado hoje", agregou.
"O Copom acertou no remédio, mas errou na dose", sintetizou o presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho. Considerando a decisão do Copom "tímida", "insuficiente" e "desanimadora", o sindicalista da Força afirmou, em nota, que "os membros do Copom estão com uma visão míope diante da atual crise e deterioração econômica mundial. Infelizmente, mais uma vez o governo se curva para os especuladores".
A UGT, em nota publicada em seu site, condenou igualmente a modesta redução dos juros. Diz o texto: "Segundo o presidente da UGT, Ricardo Patah, essa decisão reflete a insensibilidade do Banco Central diante da crise econômica mundial e é uma medida que vai na contramão da lógica para o momento que a economia atravessa".
Últimas notícias
Mulheres expõem desgaste extremo da escala 6x1 e pressionam Câmara por jornada digna
13/5 - 9:58 |
As vítimas da Covid e a memória sem justiça
13/5 - 9:50 |
Fim da escala 6×1 deixa de ser pauta sindical e vira batalha política nacional
11/5 - 19:2 |
NR-1 do MTE entra em vigor no mês do combate ao assédio no trabalho
11/5 - 18:52 |
Para além do neodesenvolvimentismo
Notícias relacionadas
Mulheres expõem desgaste extremo da escala 6x1 e pressionam Câmara por jornada digna
7/5 - 10:57 |
Paim se despede com legado e luta, depois de 40 anos a serviço do trabalhador e da democracia
6/5 - 9:55 |
Centrais pressionam nos bastidores cúpula da comissão por texto enxuto contra escala 6x1
6/5 - 9:43 |
Jornada de trabalho vira campo de disputa na Câmara em meio a pressão social e calendário acelerado
28/4 - 18:35 |
Alencar Santana e Leo Prates assumem comissão sob articulação de Hugo Motta e aceleram PEC da jornada

