Brasília, quinta-feira, 19 de novembro de 2009 - 18:21
MERCADO DE TRABALHO
Desigualdade pela cor persiste no DF
Fonte: Correio Braziliense
Pesquisa mostra que os negros ganham menos, são minoria em cargos de chefia e representam quase dois terços dos desempregados
Quatro anos se passaram e o abismo entre negros e não negros no mercado de trabalho do Distrito Federal ainda persiste.
Os avanços entre 2004 e 2008 foram tímidos, segundo levantamento feito pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) com base em dados da Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED).
Os números divulgados ontem mostram que os negros continuam a ganhar menos, ainda que o grau de escolaridade seja o mesmo. Além disso, permanecem sendo minoria nos cargos de gerência e planejamento.
E a cada 10 desempregados no DF, quase dois terços — 65,1% — são negros. Em 2004, esse percentual era de 73,2%.
O Dieese cruzou os dados com a esperança de constatar que o acelerado crescimento econômico dos últimos anos pudesse ter amenizado a diferença entre negros e brancos. O resultado, porém, causou espanto.
"Observamos uma estabilidade incômoda. A discrepância se perpetuou. Os passos que estão sendo dados no DF são tímidos", avaliou o economista do Dieese Tiago Oliveira.
Nesta sexta-feira (20), comemora-se em todo o país o Dia da Consciência Negra. "Pelos números, podemos deduzir que o debate não tem ajudado a mudar muito o cenário do mercado de trabalho no DF", completou.
A população economicamente ativa negra diminuiu no período pesquisado, de 68,1% para 60,6%. Na avaliação do Dieese, isso quer dizer que os negros têm encontrado mais dificuldade para achar emprego e passam mais tempo à procura de trabalho.
A diferença apontada pela pesquisa em comparação com os não negros é de quatro semanas.
Não bastasse, os negros trabalham uma hora por semana a mais. E o abismo do rendimento entre os dois grupos aumentou: os negros passaram a ganhar, em 2008, 63,6% do que ganham os não-negros.
Em 2004, esse percentual era de 66,3%. Na maioria dos setores analisados, o não-negro passou a ganhar mais que o negro.
Rendimento
Para o economista Tiago Oliveira, tudo leva a crer que o mercado do DF discrimina o negro. "A diferença de rendimento é a mais preocupante.
O crescimento econômico e a melhoria dos indicadores do mercado de trabalho não fizeram diferença", comentou, ao defender políticas públicas mais eficazes para qualificar o negro.
O levantamento de 13 páginas do Dieese termina indicando que "há um longo caminho a ser percorrido para superação das condições desfavoráveis dos negros".
O coordenador para Assuntos da Igualdade Racial da Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania, João Bilola, destacou que a maioria dos negros empregados no DF trabalha em serviços gerais e domésticos.
A pesquisa do Dieese também comprova essa tese apresentada pelo coordenador.
Dia Nacional da Consciência Negra
A data é celebrada desde a década de 1960, mas só foi criada por lei em 2003. Foi escolhida por coincidir com o dia da morte de Zumbi dos Palmares, em 1695, o ícone da resistência negra à escravidão.
Diversos eventos são realizados para provocar uma reflexão sobre a questão racial no Brasil.
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